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O bom gosto de (saber) servi-lo!

Para além de ter estado sempre à frente do seu tempo na forma como veiculava a comunicação e as mensagens que queria associar ao Licor Beirão, José Carranca Redondo sabia transportar esse arrojo e irreverência para os próprios conteúdos.

Em 1951, no contexto de grande contenção e moralidade que atravessava o país, o Licor Beirão arriscou fazer um cartaz publicitário que tinha como figura central uma pin-up americana, abraçada a uma garrafa da bebida. A pouca roupa da “Majorette” – vestida de vermelho com uns calções e uma t-shirt curtos com as iniciais da marca (LB) - numa época em que o recato e a discrição pesava ainda muito sobre as mulheres portuguesas, gerou polémica e um grande escândalo na conservadora sociedade portuguesa da década de 50.

No slogan do cartaz lia-se “É de bom gosto servi-lo, é de bom gosto bebê-lo” mas o Licor Beirão viu-se a braços com várias críticas de mau gosto por causa da brincadeira publicitária. Um dos funcionários responsáveis por afixar cartazes chegou mesmo a ver o carro ser baleado depois de afixar o atrevido cartaz numa parede cujo dono não apreciou a audácia...

De resto, esta não foi a única vez que o arrojo e o atrevimento da marca fizeram notícia. José Carranca Redondo tinha uma base de dados de clientes e embaixadores, ou potenciais embaixadores, da marca que estava permanentemente a atualizar e que utilizava para enviar circulares com novidades, promoções e brindes personalizados em função do perfil de cada um. É assim que nascem as emblemáticas réguas oferecidas, um pouco por todo o país, com as frases “Que licor, senhor doutor!”, “Que licor porreiro, senhor engenheiro!”, “de todos o primeiro, senhor conselheiro!”, “Que licor feliz, senhor juiz”, “Que licor seleto, senhor arquiteto”, “Que licor divinal, senhor general”, “Que licor afamado, senhor delegado” ou... “Que licor, senhor prior!”. Este último slogan fez com que um dos padres contemplados com a oferta da régua, indignado com a brincadeira, tenha escrito ao empresário manifestando o seu descontentamento pela audácia. José Carranca Redondo pediu desculpa? Não. Mas no domingo que se seguiu foi para a porta da igreja a cargo do padre em questão distribuir as mesmas réguas que tinham despoletado a ira do pároco, desta vez, aos fiéis...

Que licor, senhor doutor!

 

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